O Cântico de Moisés

o cântico de Moisés 444

Este é sem dúvida, um dos cânticos mais belos que a Escritura registra. Moisés e o povo de Israel celebram a vitória dos feitos maravilhosos do Senhor às margens do Mar Vermelho.

Os israelitas comemoravam a sua libertação. O Senhor exaltava a semente de Abraão, como sua própria nação. Israel foi liberto da mão do opressor e este livramento tornou-se, eternamente, de grande importância para a Igreja de Cristo no seu conflito com as forças do mal.

   Is. 12:2

“Eis que Deus é a minha salvação; eu confiarei e não temerei porque o Senhor Jeová é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação.”

   Ap.15:3

“E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderosos! Justos e verdadeiros são os seus caminhos, ó Reis dos santos.”

A essência deste cântico é a gratidão, o louvor e a adoração ao Senhor.

Esta passagem dos Israelitas pelo Mar Vermelho tem causado espanto aos homens de ciência. Muitos não dão crédito aos grandes milagres e maravilhas que o braço do Senhor tem operado através dos séculos. Nesta narrativa, por exemplo, até o nome do mar é contestado. Duvida-se até da operação da forte mão do Senhor! Alguns estudiosos e comentaristas sustentam que este Cântico não foi escrito por Moisés. Dificilmente alguém que não tivesse participado desse extraordinário episódio, poderia tê-lo composto com tanta precisão e majestade.

O nome Mar Vermelho está registrado no hebraico como “iam suf” que significa “mar dos sargaços ou dos juncos”. A designação Mar Vermelho tem inspiração na cor das montanhas edomitas que o circundam e projetam nele o colorido da terra avermelhada, de suas montanhas erosadas, especialmente à tarde quando o sol vai sobre elas declinar. De igual modo, é expressivo assinalar o efeito do sol, em Jerusalém, quando este incide seus raios sobre os imponentes muros da cidade eterna, emprestando-lhes um aspecto dourado, que por isso é conhecida como “Jerusalém de Ouro”.

Cântico de Moisés foi escrito em forma de poesia, a mais antiga da literatura hebraica. Através dele Moisés coloca toda a sua vibração, exaltação e emoção ao comunicar a operação maravilhosa executada pelas mãos do Onipotente.

Moisés constata e expõe, com brilho, a dimensão do milagre do Senhor e do seu amor pelo povo que Ele acabara de resgatar do Egito, para torná-lo povo de sua “propriedade peculiar” (cf. Ex.19:5-6), para estabelecê-lo, por fim como um reino do Senhor na terra de sua herança. Moisés exibiu com exuberância a sua alegria pela salvação, que Jeová (o Senhor) acabara de cumprir. Essa descrição épica é de uma beleza insuperável. A versão do Cântico para qualquer outra língua faz perder sua grandiosidade, pois restringe o exato sentido das palavras da língua hebraica. Moisés, quando usa o futuro do verbo cantar: “iashir”, ele o faz para mostrar o aspecto da eternidade de Deus, não apenas para aqueles que atravessaram o mar, a pé enxuto, mas para as gentes futuras que tomariam o conhecimento do fato através dessa gloriosa narrativa

No verso 2 lemos:

“O Senhor é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei.”

Esta frase do Cântico é por demais expressiva e gloriosa; difícil de ser adequadamente traduzida em virtude dos termos contidos na santa língua original (o “ lashon hakódesh”), pois aqui, os nomes de Deus são apresentados numa sequência erudita: “iáh” forma poética do nome de Jeová (o Senhor). Logo a seguir vem a palavra “lishua”, cuja raiz se reporta ao nome de Jesus (ieshu’a). A afirmação de que este é o “meu Deus” na forma “eli”, (o mesmo a quem Jesus invocou na cruz: “Eli, Eli, lama azavtani”– expressão aramaica- “ Deus meu porque me desamparaste”, seguido , ainda, do termo “ ‘ lohei ‘ avi” – “Ele é o Deus de meu Pai”. Constata-se, assim, uma sequência maravilhosa quanto aos nomes do Senhor (Jeová).

Ao se aprofundar nas entrelinhas do poema, a imagem logo ressalta à mente: Moisés ao deparar com as ondas gigantescas amontoando-se como uma grande massa, e a semelhança do movimento da onda, se deixou mergulhar nela com exultação, numa sequência gloriosa,  deixando-se impregnar com os nomes de “ ‘ Adonai”, “Ieshu’a”, “’Eli”, “’Elohei ‘Avi”. O espetáculo atingia proporções gigantescas, por isso, Moisés, no seu Cântico, alude àquelas águas nomeando-as de “águas adirim” (“maim adirim”) (águas veementes), pois que sobre elas pairavam a onipotência e glória do Senhor.

Moisés teria mesmo que ficar atônito com tamanha força do braço do Senhor. As águas se amontoaram com estrondo, á semelhança de um edifício se desmoronando, de sorte a formarem muros entre elas. As ondas congelaram no coração do mar, se empilharam como uma massa sólida. A descrição é poética e são próprios termos no hebraico, que fornecem a visão desse espetáculo realizado pela mão direita do Senhor.

Outro fato que tornava aquele momento mais impressionante, e poderíamos dizer, até mesmo, aterrador, era a posição da nuvem que acompanhava o povo por onde quer que andasse. A nuvem era a presença do Senhor que, por certo, enviava sua luz forte e inconfundível, atuando sobre aquele cenário dramático, nunca visto até então, especialmente quando a nuvem se colocou entre a retaguarda do exército de Israel e o exército de Faraó enfurecido.

Faraó, indignado, ainda pensava em destruir o povo. O Senhor, porém lhe dá uma grande lição, afundou o inimigo, como se fosse pedras ou chumbo, para que nuca mais ressurgisse do fundo do abismo (tehom).

Moisés canta o seu nome “ ‘Adonai”(As quatro letras do tetragrama) como poderoso “varão de guerra” e declara que este nome inefável, impronunciável é o seu verdadeiro Nome, o mesmo nome que só no céus será revelado aos fiéis, quando também receberão um nome novo (ap.3:12).

Este Cântico é igualmente profético, pois Moisés anuncia que lhe “fará uma habitação” – o povo que o Senhor (Jeová) acabava de adquirir.

Ex. 15:17

“Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó Senhor, aparelhaste para a tua habitação no Santuário, ò Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.”

“O monte da tua herança”, um local estabelecido desde a eternidade – a menina dos olhos do Senhor – o monte da sua santidade – o monte que apontava para o Gólgota, o monte onde Jesus concluiu sua missão na terra e proferiu: “Está consumado” (Jo.19:30)

E o povo passou a pé enxuto pelo meio do abismo, tendo por muros o próprio mar congelado. O Senhor foi glorificado n’Ele mesmo, na sua santidade, através da redenção do seu povo e da destruição das hostes inimigas. A santidade é a sublime e incomparável majestade de Deus, exaltada acima de todas as imperfeições e manchas da criatura finita, e conforme Asafe pode dizer: “Tu és o Deus que fazes maravilhas”… “As águas te viram, ó Deus e tremeram; os abismos também se abalaram” (Sl.77:14-16).

E de milagre em milagre o povo peregrinou pelo deserto 38 anos, após dois anos acampados em frente ao Sinai, até o dia quando alcançaram a Terra prometida, a terra de sua herança após outro grande milagre, a travessia do Rio Jordão, no período das cheias.

Igreja de Jesus já o exalta como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Acompanha o desenrolar das maravilhas que Ele tem feito no meio do seu povo escolhido – O Israel de Deus – que aguarda um novo amanhecer em sua nova Pátria, quando raiar a aurora desse dia que vai clareando até ser dia perfeito. Ali vamos encontrar o “…Cordeiro como tendo sido morto”. Morto para que n’Ele tivéssemos vida , alcançássemos remissão de nossas culpas e salvação eterna.

Nivalda Gueiros Leitão

o cântico de Moisés 444

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